Segundo o Banco de Portugal (BdP), os reembolsos totais antecipados do crédito à habitação atingiram máximos em 2017, estando a ser feitos principalmente pelos devedores mais velhos, sem recorrer a novos empréstimos.

No Boletim Económico publicado, o BdP refere que, depois de os reembolsos totais antecipados de empréstimos à habitação se terem reduzido até meados de 2014, “aumentaram significativamente nos anos seguintes, registando valores máximos em 2017”.

De acordo com o banco central, a maior parte do montante dos reembolsos totais antecipados “deve-se a devedores que não contraem um novo empréstimo à habitação, sugerindo que a troca de casa ou de banco tem um contributo reduzido para o dinamismo observado nos reembolsos do crédito à habitação”.

Segundo o BdP, o aumento dos reembolsos antecipados no crédito à habitação nos últimos anos “pode estar relacionado com o aumento do diferencial entre as taxas de juro dos empréstimos e dos depósitos e com o facto das taxas de juro dos depósitos se situarem em valores próximos de zero”.

Ao mesmo tempo, “num contexto de aumento muito significativo dos preços da habitação, estes reembolsos totais antecipados podem estar ainda associados à venda de imóveis sem envolver a contratação de novos empréstimos para compra de habitação por parte destes devedores”, admite a instituição, recordando que o peso das vendas de imóveis usados no total de transacções de imóveis aumentou consideravelmente desde 2009.

Por outro lado, a maior parte do montante de novos empréstimos é concedido a devedores que não efectuaram reembolsos totais antecipados de empréstimos à habitação nos seis meses anteriores.