A Bloomberg escreve que os suecos e finlandeses renderam-se definitivamente ao nosso país. No entanto, o aumento destes novos moradores faz com que Suécia e Finlândia possam suspender tratados tributários sobre incentivos em Portugal.

Segundo a agência noticiosa a chegada destes cidadãos do norte da Europa não é só pelo dinheiro. Grandes resorts de golfe, 300 dias de sol por ano e muitas vistas do oceano também ajudam a explicar o sucesso do programa, que atraiu um total de 10.684 estrangeiros até o final de 2016, de acordo com o Ministério das Finanças de Portugal. Como por exemplo Dan Wikstrom, ex-executivo de 63 anos, que seguiu 777 cidadãos suecos que fizeram a mudança no ano passado.

Dan Wikstrom decidiu depois de uma vida de longos invernos suecos e pesadas taxas de impostos, concretizar o sonho de uma reforma confortável ao sol. Não num paraíso fiscal do Caribe, mas em Portugal, com um voo de apenas quatro horas. Dan e cada vez mais norte-europeus são atraídos para o sul por uma taxa fixa de imposto de renda de 20% e 10 anos de pagamentos de pensões sem impostos. Para Wikstrom, isso significa duplicar o valor da sua reforma, para cerca de 12.000 dólares por mês.

“Eu me sinto culpado? Claro que não ”, admite Wikstrom, que trabalhava para uma empresa de energia sueca, numa entrevista por telefone de Cascais, onde reside agora.

Estas medidas atractivas para quem pretende se reformar e viver em Portugal também fez com que a Finlândia considerasse acabar com seu tratado fiscal com a Península Ibérica.

De acordo com Bjorn Jacobsen, administrador da imobiliária sueco Fastighetsbyran que actua em Cascais, “os suecos sempre gostaram de vir para Portugal, mas estão chegando em números muito maiores hoje em dia”. Este responsável de 42 anos, que se mudou para Portugal com a esposa em 2015, “acredita numa economia melhorada, um mercado imobiliário em expansão e a percepção de Portugal como um lugar seguro – ficou em terceiro lugar no Índice de Paz Global 2017 depois da Islândia e Nova Zelândia”.

Este regime fiscal favorável aos estrangeiros tem motivado algumas polémicas, chegando ao ponto de os Governos da Suécia e da Finlândia mostrarem preocupação com a fuga aos impostos dos seus cidadãos. A ministra das finanças sueca Magdalena Andersson, revelou o ano passado “que os suecos estavam livres para se mudar para Portugal por causa do clima, do vinho ou até mesmo do fado, mas não para evitar o pagamento de impostos”.