Em Lisboa, onde os preços imobiliários mais cresceram (seguindo-se o Porto), os anúncios caricatos de venda/arrendamento são também maiores. Apartamentos pequenos, preços muito grandes.

No nosso site, o destaque vai para um atelier, na zona da Graça, em Lisboa, cujo metro quadrado está avaliado em 5.615€. A média nas freguesias metropolitanas da capital é de 3.291€, em 2017, de acordo com os dados da Confidencial Imobiliário, um databank português que disponibiliza dados estatísticos sobre os valores dos imóveis.

Este imóvel tem apenas 16 m² de área bruta, e 13m² de área útil, onde estão confinadas as áreas da cozinha, quarto e casa-de-banho, que não podem sequer ser consideradas divisões, visto que se está a falar de um T0. Apesar de ser realmente pequeno, é um apartamento totalmente remodelado que, esteticamente, pode ser atrativo. O seu valor é de 73 mil euros e o certificado energético foi conotado com um C. É descrito como sendo versátil e multifuncional e como tendo acabamentos de alta qualidade.

No entanto, nem só em Lisboa se encontram anúncios deste género. Alargando a pesquisa no site do Imovirtual ao País inteiro, surge um apartamento T1, na freguesia de Santo António dos Olivais, em Coimbra, cujo metro quadrado está avaliado em 9.500€. Este apartamento, de apenas 10m² de área útil está à venda por quase uma centena de milhares de euros: 95 mil, para se ser mais exato. Apesar de ser descrito como T1, o apartamento não tem divisões seccionadas e, portanto, é um T0 que, dentro dessa tipologia, continua a ser bastante pequeno em dimensão, apesar de em bom estado e, admire-se, ter uma cama de casal.

O mercado imobiliário move-se e respira consoante diferentes variáveis, sejam elas o estado económico de um país ou a sua situação política ou apenas a lei da oferta e da procura. Porém, mesmo numa maré de valorização, é imperativo que reine o bom senso e, a nível mais prático, que se faça uma análise de mercado, para uma avaliação justa e equilibrada na hora de estabelecer preços.