O preço das casas, quer para arrendamento quer para aquisição, dispararam e não param de aumentar, principalmente nas cidades de Lisboa e Porto, sendo a situação na capital “a mais gritante”.

O ano de 2017 caracterizou-se por transações imobiliárias em grande escala tendo sido vendidos 153 292 alojamentos num total de 19,3 milhões de euros (valor 30,6% superior ao registrado em 2016), segundo dados do INE.

Ao mesmo tempo, muitas famílias, essencialmente nos grandes centros urbanos são obrigadas a deslocar-se para a periferia das cidades, para conseguirem arrendar ou comprar casa.

Existe muita procura para pouca oferta o que provoca o aumento dos preços. Por sua vez, em efeito bola de neve, esse aumento suscita o interesse em investir para vender ou arrendar.

Apesar do crescimento verificado, os especialistas do sector imobiliário não acreditam que estejamos perante uma bolha imobiliária, acreditando não haver, inclusive, qualquer semelhança com aquilo que estamos a viver.

O secretário-geral da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII), Hugo Santos Ferreira, deixou um aviso, numa conferência realizada em junho do ano passado, em Lisboa, pela consultora Quintela & Penalva — Real Estate: “Não existe bolha imobiliária, mas sim uma euforia excessiva”.

Esta evolução do mercado pode, então, ser explicada por um reajuste nos preços, que desceram bastante durante a crise. Aliás, esta não é uma realidade nacional, mas ocorrente essencialmente dos grandes centros, como Lisboa e Porto.

A questão primordial de todo este crescimento imobiliário, passa pelo facto de este não ser impulsionado por portugueses, mas sim por investimento estrangeiro.  São os turistas e/ou investidores externos, interessados nas potencialidades das cidades portuguesas os responsáveis pela grande maioria das aquisições de imoveis.

Também o Banco de Portugal concorda não existir uma bolha imobiliária, defendendo que a situação atual se deve à internacionalização do mercado (nas maiores cidades) que não tem ligação com créditos, a um aumento do alojamento local e ao investimento de poupanças na aquisição de imóveis (negócio visto como mais rentável e seguro do que colocar o dinheiro em aplicações financeiras).

O papel das instituições bancárias

Neste momento, verifica-se alguma preocupação relativamente à facilidade com que os bancos estão a emprestar dinheiro, conforme o aviso apresentado no relatório de Estabilidade Financeira do Banco de Portugal, que propõe medidas para controlo de spreads, considerados demasiado baixos.

Também o responsável da Deco, perante a possibilidade de estarmos em efeito bolha, alerta para o número crescente de famílias endividadas, devido ao crédito habitação.

Porém, se por um lado as condições propostas pelos bancos aliciam ao crédito para investimento em imóveis, por outro investir num imóvel é muitas vezes visto como alternativa à aplicação de poupanças nos bancos, por exemplo.