São cada vez mais as empresas espanholas que investem em Portugal. Sociedades espanholas como Merlin, a empresa de gestão de imóveis Azora, family office como a MK Premium e promotores como Vía Célere têm planos de negócios no nosso país.

“Para o nosso negócio, Portugal é melhor que a Espanha”, revela Daniel Leiva, co-fundador do escritório de família catalão MK Premium, ao jornal espanhol especializado no mercado imobiliário EjePrime. Segundo Leiva um dos factores que mais encorajam o imobiliário espanhol a atravessar a fronteira é a “grande quantidade” de edifícios para reabilitar que estão disponíveis nas áreas nobres de Lisboa e do Porto. “Embora possa surpreender, a oferta de edifícios um pouco deteriorada para recuperar é muito maior do que em Madrid e Barcelona”, salienta o responsável espanhol. Apesar de serem cidades que juntas não chegam a 800 mil habitantes, “são uma praça virgem” para o sector imobiliário”, segundo o gerente da MK Premium.

De acordo com a EjePrime a MK Premium apresenta um plano de investimentos para o corrente ano de 20 milhões de euros em Portugal. Para Daniel Leiva, a compra de prédios em Portugal é melhor do que em Espanha e até 2019 prevê facturar mais no nosso país do que em território espanhol.

Paula Sequeira, directora de investimentos da Savills Aguirre Newman em Portugal, explica que, na comparação, a Espanha é hoje “cara”. “É um mercado que já atingiu a maturidade em termos de rentabilidade; Por outro lado, Portugal continua a oferecer retornos mais elevados e mais interessantes do que a Espanha “. Além disso, outro factor a favor do país português é “segurança e estabilidade política”. Embora haja variação de acordo com o sector, “o diferencial de rendimento entre os dois países está na média geral entre 1% e 1,5%”, explica a responsável.

Daniel Leiva adianta ainda que o grande stock e as oportunidades apresentadas ao mediador imobiliário quando ele passa por Lisboa e Porto “lembram-me a Espanha de 2014”. O responsável garante que o negócio de promotores possa obter retornos entre “entre 15% e 20%, e 4% e 5% no património”.

Por cidades, no Porto, “é mais fácil comprar e mais difícil vender”, ao contrário do que acontece em Lisboa, segundo o empresário catalão, que vê no Porto “um ano atrás” a capital portuguesa. 

Segundo a EjePrime nos últimos meses, vários players espanhóis entraram em Portugal: de Matutes e Rafa Nadal à sociedade Entrecampos Cuatro, através da principal proprech de crowdfunding imobiliário, a Housers. Também o promotor Vía Célere iniciou recentemente o projecto de dois edifícios em Lisboa e Porto herdado da fusão com a Dospuntos. A Merlin Properties, adquiriu na capital há apenas duas semanas o edifício Torre Zen por 33 milhões de euros. Em Janeiro, a socimi comprou o centro comercial Almada Forum para a Blackstone por 450 milhões de euros.