O Banco de Portugal (BdP) manteve o aviso para a elevada exposição do sector bancário ao mercado imobiliário residencial, tendo em conta os sinais de sobrevalorização dos preços, “mais acentuada a nível regional/local”.

“Esta evolução tem estado associada à forte dinâmica do turismo e do investimento directo por não residentes. Dada a elevada exposição do sector bancário ao mercado imobiliário residencial, um ajustamento abrupto dos preços neste mercado representa um risco para o sector”, avisa o BdP no Relatório de Estabilidade Financeira de Dezembro, onde coloca a exposição dos bancos ao sector imobiliário entre os riscos para a estabilidade financeira.

A instituição tem vindo a alertar desde o relatório anterior (de Junho) para os sinais “ainda que limitados” de sobrevalorização dos preços do imobiliário residencial em termos agregados, mas no relatório de hoje torna-se mais evidente que esta tendência possa ser “mais acentuada” a nível regional/local.

De acordo com o BdP, no final do primeiro semestre de 2018, os bancos portugueses continuaram a concentrar uma parte significativa das suas exposições em activos imobiliários (38,9% do activo total, 1,5 pontos percentuais abaixo do valor do final de 2016).

“Esta exposição assume sobretudo uma natureza indirecta, em particular através das garantias imobiliárias associadas ao crédito à habitação (aproximadamente 28% do activo total)”, refere.

Assim, perante o abrandamento da actividade económica e tendo em conta a subida dos preços das casas, o BdP aconselha os bancos a um “particular cuidado” na definição dos critérios de concessão de crédito.

“A tentativa de aumento do volume de crédito através da fixação de ‘spreads’ de taxa de juro que não cobram o risco de crédito de maneira sustentável traduzir-se-á no futuro num maior nível de incumprimento do crédito”, avisa.

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